Domingo, 24 de Maio de 2009
3.10. Expressão cinematográfica do Religioso


 “A expressão cinematográfica do religioso deve consistir em filmes que se limitem a sugerir, que não demonstrem nem dogmatizem, e que deixem o espectador em liberdade para experimentar e deduzir” (José Escudero in Vamos falar de Cinema).
Muitas das obras cinematográficas religiosas não são católicas, pois existem muitos filmes religiosos feitos por homens que não se consideram crentes, mas que de alguma forma acabam por transmitir a “ideia principal” – “ (…) reflectir o mistério da transcendência, que todo o homem defronta” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. VII das Publicações Alfa).
“ É natural que os católicos, e os cristãos em geral, se preocupem com um cinema que dê testemunho da sua presença em todos os problemas do mundo” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. VII das Publicações Alfa), e apesar de tardias, as obras cinematográficas religiosas católicas são muito divulgadas, criticadas, censuradas e admiradas. Como exemplo muito recente temos A Paixão de Cristo, realizado por Mel Gibson. Esta obra cinematográfica é alvo de críticas negativas e positivas “Jesus Cristo finalmente teve o seu momento de dúvida na cruz, quando pergunta o porque de ter sido esquecido pelo seu Pai — esta cena é várias vezes referenciada, ao contrário das cenas de tortura”. (in All Movie - Perry Seibert) Estas críticas e a própria produção cinematográfica levaram a uma diversidade de opiniões e a debates polémicos.

Mas o cinema religioso, “É, pois, um género de cinema que como é natural, não é património do catolicismo, nem sequer exige que tenha sempre fé religiosa quem o realiza” (José Escudero in Vamos falar de Cinema). É neste sentido que surge Buñuel, que irá fazer um contraponto, revelando nos seus filmes, marcadamente, que é ateu, crítico e demolidor no que seja relacionado com o catolicismo. Nos filmes realizados por Buñuel existe um forte sentimento de raiva, ódio, desprezo e incompreensão pela devoção que os crentes têm pela igreja e Deus. (Referindo-se ao filme Nazarín) “E quando vemos o resto da obra de Buñuel suspeitamos que, assim como debaixo da crueldade há uma ternura que se envergonha de si própria, a exasperação anti-religiosa e até blasfema que o leva a expor Nazarín a inutilidade da fé, em Virdiana a inutilidade da caridade e do ascetismo em Simón del desierto e a da religião como conjunto em La via lácteo, que o induz a fazer de Tristana o filme de ódio (…)” (José Escudero in Vamos falar de Cinema). Tristana é um filme onde a actriz principal Catherine Deneuve assume um papel de uma jovem adolescente que sonha com o puro amor, e que se vê perante uma realidade inequívoca que foi seu casamento.
Em 1928, surge Dreyer. Não é católico, é protestante, e para ele o cristianismo é a “religião luminosa de um Deus”, á qual só se pode chegar com amor. É considerado um dos maiores realizadores de cinema religioso, devido a dois dos seus filmes “A Paixão de Joana d’Arc é ainda a fé que luta no mundo, expressa através de uma sucessão de angustiosos primeiros planos que só se podem igualar aos de O Couraçado Potemkin. «A Palavra» (Ordet) é a serenidade, planos longos sustentados, a fé que está para além deste mundo e que por isso não teme pôr-se á prova” (José Escudero in Vamos falar de Cinema). Apesar de ser considerado um drama, para alguns o filme A  Paixão de Joana d’Arc (1928) pode ser visto de uma perspectiva religiosa e até mesmo política. E é com esta produção cinematográfica que Dreyer ganha o Prémio Femina devido ao realismo e expressionismo que a Mulher apresenta no seu filme.
Concluímos que, neste género, a mulher surge principalmente como objecto do religioso no seu estado puro, representada através de uma dicotomia: por um lado, Maria, a maternidade e a imaculada concepção, por outro, a guerreira cristã que luta fervorosamente pelos seus ideais religiosos, como é caso de Joana d’Arc. Estas imagens são quase sempre representações de personagens históricas ou bíblicas, embora muitas vezes surjam adaptações da própria personagem ao guião.
No entanto, numa acepção contrária, surge também o cinema anti-religioso, em que são postos em causa os valores tradicionais do casamento, do baptismo, etc. Exemplo disso é, normalmente, a jovem exasperada que luta contra um casamento tradicionalmente “arranjado”.
 

 



publicado por Área de Projecto às 14:21
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Trabalho realizado por:
Catarina Viana, Irina Pedroso, Joana Alves e Sarah Saint-Maxent
Coordenadas pela
Professora Cecília Cunha
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