Domingo, 24 de Maio de 2009
3.6. A Ficção Científica

A Ficção Científica começou por ser um “género narrativo, fantástico, que se inspira na influência que a ciência e a técnica podem exercer no homem e no mundo e que teve como precursores Júlio Verne e H.G.Wells.” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. II das Publicações Alfa).
Mais tarde, muitos realizadores deixaram-se envolver pela ficção científica e, depressa, transportaram todas as suas características para o grande ecrã, criando, assim, um novo género cinematográfico – “ A ficção científica constitui também um género cinematográfico que inclui filmes importantes como Metrópolis (1926), de Fritz Lang, A Vida Futura (1936), de W. Cameron Menzies, O Planeta Proibido (1956), de F.M. Wilcox, Viagem Fantástica (1966), de R. Fleischer, e 2001, Odisseia do Espaço (1967), de S. Kubrick.” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. II das Publicações Alfa).

Mas foi Fritz Lang que, realmente, criou as bases para o desenvolvimento do género no cinema. “Com ele a Ficção Científica adquire uma importância inegável” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. II das Publicações Alfa).


O seu filme Metrópolis (1926) é fixado no ano de 2026, e retrata uma sociedade claramente dividida em dois grupos: os mestres e os pensadores, que vivem na luxúria da superfície terrestre, por um lado, e por outro a classe operária que vivia no subsolo, num regime de perfeita escravidão, para sustentar a vida luxuosa dos privilegiados da superfície.
A cidade de Metrópolis é administrada por Johann "Joh" Fredersen (interpretado por Alfred Abel), onde a bela e evangélica figura de Maria (interpretada por Brigitte Helm) representa e orienta a classe operária, aconselhando-os a não se revolucionarem, pois iria chegar “O Mediador” que, segundo ela, uniria os dois grupos sociais. O filho de Johann, Freder (interpretado por Gustav Fröhlich), apaixona-se por Maria, e segue-a para o trabalho subterrâneo. No submundo, este assiste às condições de vida precárias dos trabalhadores e junta-se á sua causa. Tomando conhecimento da posição do seu filho, Johann, contrata o cientista Rotwang (interpretado por Rudolf Klein-Rogge) seu antigo rival, para que este construa um robot e lhe dê a aparência de Maria.
Desse modo, e após raptar a verdadeira Maria, conseguiria controlar e influenciar a classe trabalhadora, ao mesmo tempo que privaria o seu filho de conviver com a operária. Maria-robot incita os operários a revoltarem-se.
Mais tarde, ao aperceberem-se do erro que foi a sua revolta, os trabalhadores procuram Maria-robot e acabam por destruir a máquina, queimando-a.
Após várias batalhas e perseguições, Freder consegue libertar a verdadeira Maria e regressa com ela às ruas de Metrópolis, possibilitando que seu pai e a classe operária se unam.
Como podemos verificar, a partir da sinopse do filme, também neste género, a mulher tem um papel de extrema relevância. Um dos pontos fulcrais de Metrópolis é a dicotomia das duas figuras interpretadas por Brigitte Helm: “a evangélica Maria, portadora de pureza e esperança religiosa, e a Maria feita robot, que tem por missão desestabilizar os operários e destruir as máquinas sem as quais eles deixarão de ter um lugar” (in Cinema e Ficção Científica de J. Siclier e A.S. Labarthe).
“A falsa Maria representa no filme, uma dupla ameaça à ordem industrial capitalista, uma vez que liberta de modo anárquico a energia sexual que a verdadeira Maria sempre reprimira, ao mesmo tempo que revela os perigos da operacionalidade técnica fora do controlo humano. A Maria-robot é a máquina erótica por excelência, capaz de seduzir e de excitar, de dominar e de enlouquecer, sem que o seu mecanismo seja perturbado pela imponderabilidade dos sentimentos. Só depois de queimado o robot que usurpara a imagem de Maria, será possível reconciliar o corpo e o espírito, o capital e o trabalho, o amor e a fábrica.” (Eduardo Geada in Os Mundos do Cinema).
A tetralogia Alien, Aliens, Alien 3, Alien Resurrection (1979-1997) do realizador Ridley Scott, é um exemplo perfeito de ficção científica bem mais contemporâneo que Metropólis.
Alien apresenta-nos a história de sete tripulantes da nave Nostromo, responsáveis pelo reboque de naves comerciais — Capitão Dallas (Tom Skerritt), Tenente Kane (John Hurt), subtenente Ripley (Sigourney Weaver), Navigator Lambert (Veronica Cartwright), Cientista Ash (Ian Holm), Engenheiro-Chefe Parker (Yaphet Kotto), e Técnico de Engenharia Brett (Harry Dean Stanton).
Em rota de regresso para a Terra, o sistema operativo de Nostromo, detecta um sinal de SOS não identificado, num planeta próximo e acorda os seus tripulantes para que estes o investiguem.
Chegados ao planeta desconhecido, logo dão de caras com uma nave espacial, abandonada e em péssimo estado e, em pouco tempo, se apercebem que na cadeira de piloto se encontram restos mortais de uma criatura alienígena: Ripley chega à conclusão que afinal o sinal detectado não era de SOS, mas sim de advertência para um perigo iminente.
Mais tarde irão descobrir, na mesma nave, centenas de ovos alienígenas que estão prestes a eclodir e a revelar as criaturas temerosas e assassinas desta saga.
Atolado de efeitos especiais avançados para a época, a história desenrola-se em torno da luta do Homem contra o Alien, neste caso da Mulher contra o Alien, pois é Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, que dá vida à heroína desta tetralogia.
Sigourney Weaver representou o papel principal na saga: lutadora, corajosa, destemida, guerreira, ela luta até ao último momento contra as forças alienígenas, mesmo quando um exemplar da vida extraterrestre está dentro do seu ventre, o que nos prova, que até neste género cinematográfico, a Mulher acima de heroína, de guerreira e/ou vilã, é mãe.
Estabeleçamos, então, uma espécie de paralelo: enquanto que em 2001, Odisseia no Espaço (1968), do realizador Stanley Kubrick, a luta entre o homem e a máquina dominam o argumento, a realização e a montagem, na tetralogia Alien, o duelo passa para o feminino, como se de uma contra-situação se tratasse.
Estes dois exemplos de ficção científica (Metropólis e Alien) permitem-nos identificar que tipo de mulher é utilizado na ficção científica.
Das duas, uma: ou será a vilã, que transmitirá sempre um erotismo e uma sensualidade capaz de influenciar o homem e de manejar as máquina, detentora de uma força e uma maldade estrondosas, ou será a heroína, igualmente bela, mas dócil, bastante ligada à religião, ao sentimento, desapegada dos crescentes ideais capitalistas e industriais, fazendo valer sempre o lado sentimental humano, racional em detrimento da frieza das máquinas. Inserido nestes papéis, sendo guerreira, heroína, vilã ou donzela, é sempre possível enquadrar o ideal da maternidade na personagem feminina.
 

 



publicado por Área de Projecto às 15:20
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Trabalho realizado por:
Catarina Viana, Irina Pedroso, Joana Alves e Sarah Saint-Maxent
Coordenadas pela
Professora Cecília Cunha
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