Domingo, 24 de Maio de 2009
3.5. O Drama e o Romance no Cinema

O drama no cinema, é representado por uma “acção importante, em que figuram personagens ilustres e cujo fim é excitar o terror ou a piedade, terminando geralmente por um acontecimento funesto que desperta lástima ou horror.” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. VII das Publicações Alfa).
Já o romance, surge no cinema sempre através de um enredo amoroso que envolve duas ou mais personagens, com a premissa “ e viveram felizes para sempre…”, no entanto, existem diversos filmes românticos que se baseiam no lado contrário do romance: na beleza do impossível, na utopia de um final feliz com enredos sustentados por um enlace amoroso cujo fim é sempre trágico – os “star-crossed lovers” nunca ficam juntos – e é neste momento que o drama e o romance se unem no cinema.
Todo o romance e todo o drama, transportados para o cinema têm fortes inspirações teatrais, e grande parte dos realizadores produziam filmes inspirados em obras de Shakespeare – génio dramático e romântico.


Estes géneros cinematográficos “podem ser o arquétipo para assinalar e determinar a relação entre o palco e o ecrã, porque é o teatro no seu estado mais puro, embora encerre em si elementos cinematográficos (…) capazes de fazer entrar o espectador até ao último pormenor e de lhe proporcionar todos os pontos de vista possíveis, mesmo os inacessíveis na realidade.” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. VII das Publicações Alfa).

Romeu e Julieta, obra escrita por Shakespeare quando este tinha apenas 28anos, “foi tratada constantemente e sob todas as formas possíveis no cinema, e, á parte das versões primitivas, a primeira realmente importante é a de George Cukor, em 1936, tendo como protagonistas, Norma Shearer [interpretando Julieta] e Leslie Howard [que personificou Romeu].” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. VII das Publicações Alfa).
No excerto do texto da obra analisada, por nós transcrito, apercebemo-nos que a mulher, Norma Shearer, que interpreta o papel de Julieta, vem referida em primeiro lugar…Porquê?
Defendemos que, mais uma vez, a mulher é fundamental para estes géneros cinematográficos, os quais não podem subsistir sem a sua “musa trágica e romântica” e que, por isso, tenha sido referida em primeiro lugar, de maneira a que o leitor se aperceba da sua importância.
Em Romeu e Julieta, a jovem é filha de uma família abastada e importante que lhe pretende incutir um casamento indesejado. Ao longo do filme, esta apaixona-se por Romeu, descobrindo que este é um amor proibido por ser filho do principal inimigo de seu pai. Julieta sofre, pois percebe que terá que virar costas a um dos amores da sua vida: ou á sua família, ou a Romeu. Decide-se pelo seu amado, mas um mal entendido acaba por causar o final trágico deste romance: Julieta simula a sua morte, para poder fugir com Romeu, e este, que não está informado da sua decisão, acaba por se matar a seu lado, não suportando viver sem a sua amada, e esta, ao acordar, vê o amor da sua vida morto e decide, igualmente, pôr um fim á sua vida, que não julgava ter qualquer tipo de importância sem a presença de Romeu.
Norma Shearer representou impecavelmente o papel de Julieta, interpretando a perfeita “musa trágica e romântica” que é exigida neste género cinematográfico: mulher elegante, culta, de boas famílias, apaixonada, religiosa “que inspira, ao longo da trama, piedade e comoção” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. VII das Publicações Alfa).
É Baz Luhrmann que, em 1996, decide recriar a obra de Romeu e Julieta num formato inovador: esta adaptação da obra trouxe ao público a realidade dos dias de hoje, com armas de fogo e carros luxuosos: “(…) a modernização da obra ficou com um aspecto futurista do que foi escrito no século XV” (Filipe Rodrigues in Crítica do Leitor).
    Claire Danes e Leonardo Di Caprio, protagonizam, assim, o drama romântico que atravessou Eras e gerações, desta vez sob uma visão futurista: não muda a história, nem sequer as circunstâncias, mudam apenas épocas e detalhes materiais – carros em vez de coches, pistolas a tomar o lugar das espadas – no entanto, a origem dramática/romântica da obra permanece, e defendemos que ficará para sempre como um marco da história da sétima arte.
 

 



publicado por Área de Projecto às 15:30
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Trabalho realizado por:
Catarina Viana, Irina Pedroso, Joana Alves e Sarah Saint-Maxent
Coordenadas pela
Professora Cecília Cunha
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