Domingo, 24 de Maio de 2009
3.4. Comédia

A comédia é um género teatral com uma longa tradição, que rapidamente se adaptou aos espectadores cinematográficos.
Inicialmente, criavam-se filmes onde as imagens era acompanhadas sem som, apenas com o intuito de fazer rir/alegrar o espectador. Nestas comédias eram muitas vezes utilizadas as perseguições, as quedas e as partidas. As partidas eram as mais faladas e apreciadas: compostas por choques de automóveis, partidas com tartes/tortas, sustos e muitas gargalhadas á mistura. Estes eram os primeiros passos da criação de mais um género cinematográfico.
Em 1896 surge o filme L’arroseur Arrosé (O Regador Regado), aproximadamente com cerca de 1 minuto.

Esta produção, a preto e branco, de Louis Lumiére, foi considerada a primeira comédia cinematográfica da história do cinema. “Com Le jardinier et le petit espiègle, onde mais tarde se tornou mais conhecido como L'Arroseur Arrosé, Lumière criou a primeira sequência cómica a ser gravada em filme e, ao fazê-lo anunciava uma geração de filmes mudos palhaços.” (Perpignan in Une Saison Lumière à Montpellier – 1987, tradução própria).


L’arroseur Arrosé, retrata um jardineiro inocente que rega um “molho” de legumes, quando um menino travesso subitamente corta o fornecimento de água sobre a mangueira. Após uma curta perseguição o menino é capturado e castigado.
Posteriormente, tal como no teatro, a comédia cinematográfica começa a tomar uma posição " (...) de uma satírica, palhaço, burlesco, com uma mais ou menos acentuada tendência para a grotesca reflexão de costumes sociais.” («Les Pionniers du Cinéma Français Issue» in of Avant-Scène du Cinéma (Paris), November 1984).
Charlot um personagem de comédia inigualável, surge com chegada do som ao cinema cómico. Elogiado pelo movimento surrealista, devido á eficácia da interpretativa comediante, Charlot foi um marco na comédia cinematográfica  .
Ao longo dos anos, e com a evolução deste género cinematográfico existe uma “metamorfose” no cinema cómico, dando origem a géneros híbridos como: a comédia de acção, a comédia romântica, a comédia de horror, melodrama, etc.
    Existe uma grande relação entre o cinema cómico e o cinema dramático, e é nesta brecha de facilidade de interacção entre estes dois géneros, e na dificuldade de definição de uma fronteira entre o Drama e o Cómico, que se enquadra Pedro Almodóvar, e por consequência a Mulher.
    Almodóvar, ao longo das obras que realizou, leva a uma oscilação entre o riso e as lágrimas, sem nunca ter claramente definido os momentos cómicos ou dramáticos. Um claro exemplo disso é Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988), que retrata o limite psicológico de três mulheres, a super sexy Pepa (Cármen Maura), a neurótica Candela (Maria Barranco) e a louca Lucía (Julieta Serrano). Nesta obra Almodóvar insere diversos papéis e imagens da Mulher, muitas vezes ligadas ao seu próprio fetiche, conjugando caracterizações e mentalidades opostas – daí surge o efeito cómico.
    Mujeres al borde de un ataque de nervios é, então, uma obra profundamente cómica que surge em volta da fixação que Pepa tem por Iván. Toda a obra se reveste de elementos cómicos clássicos: cores vivas e fortes, que chamam a atenção para os pormenores; adereços tipicamente cómicos, como a utilização de perucas pela ex-mulher de Iván, recentemete saída de um asilo; o partir de vidros e o entornar de líquidos; as quedas muito frequentes…
    No entanto, o motivo pelo qual escolhemos analisar esta obra ultrapassa o tradicionalmente cómico: nela observamos que, actualmente, o papel da mulher na comédia é, provavelmente, mais diversificado que em qualquer outro género, embora seja, regra geral, sempre exagerado, levado ao extremo. Tomemos como exemplo as personagens femininas da obra: Pepa é totalmente fixada num homem; Lucía é completamente doida; Candela é neurótica, e passa todos os dias a temer ser perseguida e presa pela polícia; Ana é uma “motoqueira” que tenta ser feminista mas, no fundo, não vive sem o namorado; Marisa é a noiva enganada, etc.
    Podemos, então, afirmar que, embora no passado o papel da mulher na comédia fosse quase inexistente, limitando-se a ser um adereço ou a vítima de alguma partida, actualmente adopta uma variedade imensa de personagens que, muitas vezes, são a personagem principal ou a que dá o efeito cómico fundamental à obra.
 

 



publicado por Área de Projecto às 15:35
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Trabalho realizado por:
Catarina Viana, Irina Pedroso, Joana Alves e Sarah Saint-Maxent
Coordenadas pela
Professora Cecília Cunha
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