Domingo, 24 de Maio de 2009
3.3. Cinema Bélico

Ao longo da História, o cinema bélico foi evoluindo em técnica, mas mantendo sempre a mesma base: “o simples facto de tentar expressar o confronto violento da humanidade leva-nos a uma tripla possibilidade de interpretação: por um lado, a guerra tomada como pano de fundo de uma história não bélica [um romance, por exemplo]; por outro, a situação bélica como um facto colectivo expresso com intenção objectiva; em terceiro lugar, extraordinariamente frequente, o filme bélico como meio de propaganda ideológica.” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. I das Publicações Alfa).
A Guerra sempre foi considerada um “tema de ouro”, pois “ constituiu um reservatório de histórias espectaculares; o filme de guerra exerce sobre o público uma sedução muito ambígua, a meio caminho entre a atitude intelectual de reprovação e a fascinação perante o acto destruidor (…) onde é o panfleto libertador ou a análise clínica de um fenómeno (…)” (Gideon Bachman, Marcel Martin e Roger Tailleur in Cadernos de Cinema).

Apercebemo-nos, então, que a guerra tem todas as características para se apoderar do cinema. Por isso, as duas maiores guerras do séc. XX, foram retratadas com especial “carinho” mas sempre surgiram sob duas perspectivas diferentes. Por exemplo, mesmo antes da I Guerra Mundial os alemães produziram Heroismus einer Französin (1913), de Rudolf Bierbrach, onde demonstravam a sua posição perante a guerra que já se adivinhava, enquanto os americanos criaram O Rei de Aço (1913) “onde uma maravilhosa rapariga e um piloto de aviação salvam o mundo de uma guerra intercontinental iminente” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. I das Publicações Alfa).
Durante a I Grande Guerra, surgem filmes criados pelos aliados, como O Inverno na Alsácia (1914), e filmes criados pelos alemães, como “A entrada da Alemanha na Guerra e as suas razões” (1914) – “O exército e a diplomacia servem-se do cinema para instruir os soldados e educar os civis. Tratam-se de películas em que se celebra a bravura dos soldados, o prestígio dos oficiais, o heroísmo dos enfermeiros (…)” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. I das Publicações Alfa).
Após o término da I Guerra Mundial, os Estados Unidos da América, verdadeiros vencedores do conflito, “fazem do cinema uma nova arte e sobretudo uma grande indústria. Assim, surgem os nomes de Cecil B. De Mille, Thomas H. Ince, Mack Sennett, Griffith e Chaplin e artistas como Charlot, William Hart, Mary Pickford, Warren Kerrigan, etc., semeiam pela Europa o prestígio dos Estados Unidos” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. I das Publicações Alfa). Depressa os filmes do após I Guerra se transformam, “Nestas películas, a morte surge poetizada (…) estes filmes estabelecem uma lenda dourada que dá à morte uma falsa beleza.” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. I das Publicações Alfa).
O cinema durante a II Guerra Mundial, apresentava o mesmo cariz ideológico, didáctico e propagandístico, bastante idêntico ao cinema criado durante a I Grande Guerra. São realizados filmes como Action in the North Atlantic (1943), de Lloyde Bacon e A Vitória da fé – O filme do Congresso do Partido Nacional— Socialista (1933) de Leni Riefenstahl.
Armas, sangue, violência, morte…onde se encaixará então a mulher neste género cinematográfico?
Anteriormente referimos a actriz Mary Pickford, que não tendo sido a única a participar neste tipo de filmes, foi com toda a certeza, uma das pioneiras.
Nos primeiros filmes que retratavam a guerra, principalmente as do séc. XX, a mulher assumia o papel de noiva/esposa que sofria bastante com a ida do seu homem para a guerra. Normalmente não assumia o papel principal nos filmes bélicos, mas sim um papel secundário, representando as mulheres às quais a guerra arrancou os seus homens. Eram sempre mulheres belas e jovens que passavam, grande parte do filme, esperançosas pelo retorno do seu homem, mas com um grande sentimento de impotência por não conseguir acelerar o processo.
No entanto, com o avançar dos anos, fomo-nos habituando a aceitar a imagem da mulher-soldado: uma mulher geralmente bela, que se sujeita ás duras condições do processo de recrutamento, capaz de tudo em nome da sua pátria. É, geralmente, descriminada pelos seus colegas e superiores, maioritariamente do sexo oposto, no entanto, acaba sempre por ser a heroína da trama.
“O filme de guerra não é mais que um negócio baseado em grandes frescos pseudo-históricos, nos quais a guerra é utilizada como simples receptáculo da aventura e da acção” (in O Cinema – Enciclopédia da 7ª Arte vol. I das Publicações Alfa), onde a mulher, seja como esposa dedicada ou como militar irreverente, acaba por ter extraordinária importância.
 

 



publicado por Área de Projecto às 15:40
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Trabalho realizado por:
Catarina Viana, Irina Pedroso, Joana Alves e Sarah Saint-Maxent
Coordenadas pela
Professora Cecília Cunha
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