Domingo, 24 de Maio de 2009
2.6. A Mulher no Cinema Soviético: O cineasta Sergei Eisenstein

Eisenstein é considerado o mais importante realizador soviético. Relacionado com o movimento vanguardista russo, participou activamente na Revolução de 1917 e na consolidação do cinema como meio de expressão artística. Teve alguns problemas com o regime de Estaline devido à sua perspectiva da ideologia comunista e à sua defesa da liberdade de expressão artística e da independência dos artistas, sendo perseguido num país em que a indústria cinematográfica não possuía recursos para se desenvolver.
Durante a sua carreira, realizou várias obras: algumas delas são consideradas das mais importantes da história do cinema. Aos 26 anos realizou A Greve (1924), mostrando que a arte e a política “podiam andar de mãos dadas” (Georges Sadoul in História do Cinema Mundial).
A sua obra mais importante, O Couraçado Potemkin (1925), permitiu-lhe ir trabalhar para Hollywood e ser convidado pela MGM, uma importante produtora. Mais tarde, desgostoso por não ver nenhum dos seus projectos ser levado a cabo, resolve voltar para a URSS, onde é chamado para realizar Alexandre Nevski (1938) e onde mais tarde realiza Ivan, O terrível (1944).

 


Eisenstein foi o primeiro realizador a reflectir sobre a importância da montagem na definição de uma obra cinematográfica, desenvolvendo estudos teóricos profundos sobre ela e dividindo-a em vários tipos, consoante o modo como é efectuado e os seus objectivos específicos. O realizador não foi o criador da montagem, mas foi, seguramente, o que a aperfeiçoou e o que mais alargadamente a utilizou nos seus filmes.
No cinema soviético não existem divas. Contudo, a Mulher surge no cinema de diversas formas: a sua presença é essencial para o entendimento da história. Tomamos como referência o filme O Couraçado Potemkin, na sua cena mais famosa, passada na Escadaria de Odessa. É, aqui, mostrada, com grande dramatização e violência por parte do exército do czar, a imagem de uma criança que é atingida, desfalece e é pisada. A sua mãe, completamente desesperada, pega nela para denunciar o “humanesco” do massacre que é vivido, andando contra a multidão e sendo morta impiedosamente pelo exército. Neste caso, a figura da mãe com o filho morto nos braços pode significar o desespero e a incapacidade do exército em reconhecer a sua igualdade perante o povo de Odessa.
Em suma, a mulher no seu desespero de mãe com o seu filho nos braços é uma visão moderna da “Piatá”, imagem universal humanista que o cinema de Eisenstein confirma e imortalizada como já o fizera Miguel Ângelo através da escultura. Torna-se um símbolo de toda a humanidade um sofrimento – um ícone maternal do século XX.
Neste mesmo filme é mostrada outra imagem da Mulher, uma outra mãe com um carrinho de bebé na escadaria, que é assassinada. Cai e empurra acidentalmente o carrinho — esta imagem ficou marcada na história do cinema. Ainda podemos, nesta cena, observar o rosto de uma mulher que anteriormente se estava a rir e que surge, agora, a chorar, ao ver o carrinho de bebé cair pela escadaria abaixo.
Assim se pode mostrar como o papel da mulher é importante para a simbologia e para o entendimento da história. Noutros filmes soviéticos, no entanto, a mulher aparece quase sempre com o papel de professora ou dona de casa e mãe de família.
 

 



publicado por Área de Projecto às 16:07
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Trabalho realizado por:
Catarina Viana, Irina Pedroso, Joana Alves e Sarah Saint-Maxent
Coordenadas pela
Professora Cecília Cunha
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