Domingo, 24 de Maio de 2009
2.4. A Mulher no Cinema Italiano: O neo-realismo

O neo-realismo assume-se como uma “corrente artística surgida no Ocidente nos anos 30, com expressão nas artes plásticas, na literatura e no cinema. (…) O neo-realismo encontrou os seus temas principais na dinâmica histórica e social da luta de classes, exigindo à arte e aos artistas um compromisso e uma militância que eram o oposto da teoria da arte pela arte. O artista deveria ser uma força activa, considerando o homem como ser social e afastando-se do subjectivismo. A promoção dos desfavorecidos e humildes, a análise das condições de vida de camponeses e operários e ainda das condições históricas que as originaram são alguns dos seus motivos mais frequentes.” (in Enciclopédia UNIVERSAL multimédia).
Foi na Itália que o neo-realismo teve maior importância. Surgiu nos anos 40, num clima de tensão pós-guerra, caracterizado por fortes traumas que levou os cineastas e críticos italianos “a assumirem posição mais crítica em relação aos problemas sociais e reagirem contra os esquemas tradicionais de produção. (…) A renovação ocorre na temática, na linguagem e na relação com o público. A experiência neo-realista tem duração relativamente curta mas causa enorme impacto sobre as demais cinematografias

 

Entre os realizadores italianos neo-realistas, destacam-se dois nomes: o do realizador Roberto Rossellini e o da actriz Anna Magnani. O filme Roma, cidade aberta (1945) de Rosselini, inaugura o movimento neo-realista italiano, e retrata a cidade sob o domínio nazi, onde Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), um engenheiro comunista, e chefe do Comité de Libertação Nacional, assume diversos nomes ao longo do filme. Manfredi (ou Ferraris, ou Epíscopo) refugia-se na casa do operário Francesco (Francesco Grandjacquet), que está às vésperas de se casar com Pina (Anna Magnani).
A Gestapo aterroriza as ruas: católicos, operários, comunistas, mulheres e crianças uniram-se para combater os fascistas. Pina, mãe do pequeno Marcello, é baleada no dia do casamento, quando vê o seu companheiro ser preso. Manfredi, porém, consegue escapar aos nazis, e juntamente com o padre Don Pietro (Aldo Fabrizi) arma um plano de fuga para ajudar Francesco. A amante de Manfredi, a actriz e dançarina Marina (Maria Michi), denuncia o grupo em troca de drogas e roupas: Manfredi morre sob tortura, enquanto Don Pietro caminha para o fuzilamento clamando “ não é difícil morrer bem, difícil é viver bem!”.
Foi com o filme de Roberto Rossellini que Roma foi mostrada nua, miserável, com os componentes da sociedade italiana a serem denunciados na tela. Símbolos da Itália popular e da Itália corrompida pelo fascismo são mostrados pelas mãos de um cineasta que inicia uma nova fase, recém-passado para o lado da Resistência.
A personagem interpretada por Anna Magnani assume as feições trágicas da sociedade italiana que lutava por justiça e liberdade. A cena em que Pina, cai na rua, morta por um tiro dos alemães, depois de correr atrás da carrinha na qual o seu companheiro estava preso, ficou como um marco da história do cinema.
Defendemos então, que na sociedade italiana dominada pelo neo-realismo, Anna Magnani se destacou como actriz, mas principalmente como mulher!
Segundo o movimento, “qualquer artista deveria ser uma força activa, considerando o homem como ser social e afastando-se do subjectivismo.” (in Enciclopédia UNIVERSAL multimédia) e Magnani foi quem melhor deu vida aos objectivos neo-realistas, o que lhe valeu um Óscar.
Ao analisarmos o caso singular de Anna Magnani no cinema neo-realista, apercebemo-nos que a mulher italiana é representada como uma eterna lutadora contra o fascismo, uma revolucionária permanente, portadora de uma beleza e de uma força inacreditáveis, capazes de marcar a história do cinema e da própria Itália.
Anna Magnani representa, assim, a Mulher no sentido pleno da palavra, ao conseguir encarnar várias formas do sentir feminino – ela não se cristaliza como actriz de resistência. Foi amante e mãe, lutadora e vencida.
 



publicado por Área de Projecto às 16:08
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Trabalho realizado por:
Catarina Viana, Irina Pedroso, Joana Alves e Sarah Saint-Maxent
Coordenadas pela
Professora Cecília Cunha
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