Domingo, 24 de Maio de 2009
2.3. A mulher no Cinema Alemão (1910-1940): O Peculiar Caso de Leni Riefenstahl

A história do cinema alemão tem um desenvolvimento peculiar, tendo sido fortemente delineada pelas duas Grandes Guerras e pelas ideologias políticas subjacentes.
Durante a I Guerra Mundial, começaram a surgir indícios de um surto artístico, renovador no cinema alemão: a indústria pesada alemã tinha consciência de que o cinema na América era um negócio com proveitos ao qual Wall Street não ficou indiferente e, por isso, a 4 de Julho de 1917, o General Ludendorf comunicou ao Ministro da Guerra que o cinema era uma forte “arma”, capaz de reunir uma mensagem moral, ideológica, e material aliciante e influenciador. Ludendorf, juntamente com importantes banqueiros, químicos, electricistas e militares fundaram uma poderosa sociedade, a Universum Film Aktiengesellschaft, vulgarmente conhecida pelas iniciais U.F.A.

 

A U.F.A reunia os melhores produtores alemães e tinha um objectivo intrinsecamente monopolista, semelhante ás empresas cinematográficas norte-americanas.
Através do expressionismo, surgiram fortes personalidades artísticas que superaram as velhas formas cinematográficas: Carl Mayer, Fritz Lang e Murnau.

É Murnau quem insere a mulher no cinema, no seu filme Faust. Neste, a actriz Yvette Gilbert, encarna uma senhora idosa que representava “uma criatura quase sádica do amor” (in Georges Sadoul História do Cinema Mundial).
Por volta de 1925, sucede-se a revolução do sonoro na Alemanha, e nele surge a “vedeta e realizadora, hábil e ambiciosa Leni Riefenstahl” (Georges Sadoul in História do Cinema Mundial).
Leni Riefenstahl foi e é considerada um génio da sétima arte. Bailarina, actriz e realizadora, esta mulher é o principal ícone do cinema alemão. Mas, segundo Ray Müller, autor do documentário A maravilhosa e horrível vida de Leni Riefenstahl, o seu talento foi a sua tragédia.
O seu trabalho foi bastante apreciado por Hitler e pela imprensa, e por isso, o Führer convida-a a realizar outros dois filmes de propaganda: Triunfo da Vontade (1935) pelo qual “A realizadora foi acusada de ter aumentado significativamente, através deste filme, o laço emocional dos Alemães a Hitler e aos Nacional-Socialistas.” (Angelika Taschen in Cinco Vidas de Leni Riefenstahl).
Para além disso, recebe críticas do General Walter von Reichenau, pois este acreditava que era imprescindível que o filme incluísse exercícios militares, por isso, Leni Riefenstahl, “propôs fazer um filme só sobre o exército no ano seguinte. O filme é distribuído como mini filme didáctico militar.” (Angelika Taschen in Cinco Vidas de Leni Riefenstahl), é intitulado Dia Da Liberdade! – As nossas Forças Armadas (1936)
Em 1938, á já conhecida “Realizador do Regime” coube-lhe a tarefa de registar, para a posterioridade, a 11ª edição das Olimpíadas. Este documentário de Leni Riefenstahl divide-se em duas partes Ídolos do Estádio – Olimpíada e Ídolos do Estádio – Vencedores Olímpicos. Vários críticos “descobriram uma estética fascista nos filmes e enfatizam-na no tempo da sua feitura, pois eles ajudaram a reforçar a imagem a todo o mundo de uma nação amante da paz” (Angelika Taschen in Cinco Vidas de Leni Riefenstahl).
Quando os americanos ocuparam Tirol, em 1945, Leni Riefenstahl é “presa e levada para o campo de prisioneiros de guerra Dachau da Sétima Companhia dos EUA. (…) Durante as audiências ela é confrontada, pela primeira vez, com fotografias de campos de concentração e fica profundamente perturbada (…) é levada sob custódia várias vezes, libertada, e depois finalmente presa. A sua conta bancária está congelada, a casa confiscada e todos os seus bens, incluindo o seu arquivo cinematográfico e fotográfico, são levados para Paris.” (Angelika Taschen in Cinco Vidas de Leni Riefenstahl)
Em 1946, Leni Riefenstahl é enviada para a zona controlada pelos franceses, na Alemanha. Mas só no início de 1948, “a pedido do seu advogado em Paris, o governo militar francês do estado Baden liberta-a.” (Angelika Taschen in Cinco Vidas de Leni Riefenstahl).
Verificámos através da análise de duas das mais pragmáticas obras de Riefenstahl — Triunfo da Vontade e Olimpya — que a realizadora trespassa um sentimento paradoxal perante o papel da mulher: no primeiro, a mulher é praticamente esquecida, só existe o masculino, que é levado ao extremo na tela; no segundo, Leni procura pôr a mulher como um ser igual ao homem, diríamos até, complementar a este, pois à imagem do perfeito alemão, a mulher alemã desportista compõe a equipa olímpica, apresentando um corpo esbelto, musculado, com um cabelo loiro imaculado, perfeitamente enquadrada no ideal nazi/rácico.
Leni Riefenstahl é um dos ícones cinematográficos de todos os tempos, rompendo barreiras temporais, nacionais, imortalizando o seu nome, através da sua genialidade na 7ª arte.
 

 



publicado por Área de Projecto às 16:09
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Trabalho realizado por:
Catarina Viana, Irina Pedroso, Joana Alves e Sarah Saint-Maxent
Coordenadas pela
Professora Cecília Cunha
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