Domingo, 24 de Maio de 2009
2.2. A Mulher no Cinema Francês (1909 – 1965)

A abordagem deste período do cinema francês deve-se, por um lado, à possibilidade de estabelecer um paralelismo com a época estudada em relação ao cinema norte-americano e, por outro, à singularidade da própria Nouvelle Vague e da imagem da mulher por ela apresentada.
O cinema Francês é actualmente o mais dinâmico da Europa, tanto em termos de público, como em número de filmes produzidos e de receitas geradas pelas suas produções. No entanto, não é apenas conhecido pela sua importância actual, pelo contrário, sempre teve relevância em toda a história do cinema, bem como um papel de destaque na ascensão da Mulher no mundo da 7ª arte.
Num período considerado de 1909-1956, o cinema Francês viveu um clima de extraordinário espírito empreendedor: “ (…) uma época Pathé” (Georges Sadoul in História do Cinema Mundial). Pathé controlava agora, o monopólio do cinema Francês: “Os monopólios assentavam em «circuitos» de salas, ainda não muito extensas porque as exibições em locais fixos tinham começado havia pouco.” (Georges Sadoul in História do Cinema Mundial).

 

Foi na época de Pathé que os vários géneros cinematográficos foram introduzidos: “o ano de 1909 marcou para Pathé uma mutação artística. Doravante, em todos os domínios e em todos os géneros, os seus filmes atingiram a originalidade. (…) Os géneros diferenciaram-se. O fantástico decaiu, o cómico afirmou-se como género artístico e o drama sentimental instalou-se. (…) A glória de Fantômas cresceu.” (Georges Sadoul in História do Cinema Mundial).
“A Vanguarda surgiu no cinema cerca de 1925, com dez ou vinte anos de atraso em relação à pintura ou à poesia” (Georges Sadoul in História do Cinema Mundial ). “O «dadaísmo» deu origem aos primeiros filmes da vanguarda” (Jean-Loup Passek in Dictionnaire du Cinéma Français), permitindo o desenvolvimento de outras formas comerciais, que abrangiam um público mais vasto.
Após a I Guerra Mundial, durante os anos 20, a mulher era então representada ao estilo de “mulher garçonne”: “O nome surge a partir de um romance, 1922, la garçonne, que, apesar de ter sido censurado, acusado de pornografia, por descrever mulheres que usavam roupas masculinas, cabelos curtos, tinham uma carreira profissional e se entregavam ao amor livre, simbolizou a mulher andrógina, que não hesitava em fazer tudo que fosse proibido” (in A década de 20 e seus fabulosos estilistas).
“A partir de 1956, chegou à realização de filmes um pelotão de jovens com menos de trinta anos de idade. Roger Vadim foi o primeiro a obter um êxito brilhante com o seu filme Et Dieu cré a la Femme.” (Jean-Loup Passek in Dictionnaire du Cinéma Français). Anteriormente, a mulher, era vista no cinema como “ (…) viúva rica, dama nobre perseguida, rainha de tragédia, mãe (…) figura de uma velha professora primária, sádica e de lunetas.” (Jean-Loup Passek in Dictionnaire du Cinéma Français), Vadiim é o pioneiro e insere a mulher no Mundo do cinema “ (…) impôs ao mundo um novo tipo de «estrela cinematográfica, a loura Brigitte Bardot, expoente novo de certo tipo de mulher moderna” (Brigitte Bardot in Memórias,).
Brigitte Bardot nasceu em Paris em 1934, é uma actriz e cantora francesa que ficou conhecida mundialmente depois dos filmes que realizou. É considerada um sex symbol dos anos 60 e 70. Brigitte Bardot acaba por se casar com o homem que a lançou e deu a conhecer ao Mundo – Roger Vadim.
A seguir à “era Brigitte Bardot” impõe-se a presença de Catherine Deneuve: um registo diferente, discreto, de uma beleza “suave” e quase misteriosa.
Nascida em 1943, em Paris, participava em filmes desde os 13 anos mas é com Vadim que se lança para o estrelato, participando em pequenos papéis. Mas só em 1964, em Les parapluies de Cherbourg (1964) de Jacque Demy alcança o estrelato e é, tal como Brigitte, considerada um sex symbol.
Le Mépris (1963), com Brigitte Bardot, e Une Femme Mariée (1964) tinham por tema “a condição e os condicionalismos da mulher numa sociedade moderna em que o «casamento é modalidade de prostituição». Um lirismo romântico e surrealista conduzia uma dança de morte e amor em Pierrot le Fou (1965), que consolidou o nome de J.-L. Godard juntamente com Masculin-Féminin.” (Jean-Loup Passek in Dictionnaire du Cinéma Français).
Brigitte Bardot e Catherine Deneuve foram consideradas ícones do cinema Francês, mas não podemos esquecer-nos também da grande realizadora Agnés Varda “Agnés Varda prenunciava a Nouvelle Vague francesa. Depois de várias curtas-metragens, Agnés Varda realizou um filme cheio de agudeza q profundamente emocionante, Cléo de 5 à 7, duas horas da vida de uma jovem condenada pelo cancro. A realizadora encontrou depois as relações entre o amor e a morte em Le Bonheur, dramático idílio de arrabalde” (Georges Sadoul in História do Cinema Mundial).
Brigitte Bardot, Catherine Deneuve e Agnés Varda são consideradas os marcos “expansionistas” da imagem da mulher no cinema e por essa mesma razão são consideradas figuras que permanecem na história da 7ª arte.
 



publicado por Área de Projecto às 16:10
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Trabalho realizado por:
Catarina Viana, Irina Pedroso, Joana Alves e Sarah Saint-Maxent
Coordenadas pela
Professora Cecília Cunha
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